sábado, 2 de julho de 2011

História

Na antiguidade, durante um inverno rigoroso um grande império foi atacado por tribos inimigas, e uma das maiores cidades é tomada. O imperador atacado, conhecido pela sabedoria e pelo bom governo, vendo o sofrimento de seu povo logo organiza um cerco a sua cidade invadida, porém as defesas que os inimigos fizeram pareciam intransponíveis. Eis que um soldado moribundo mesquinho e ganancioso do inimigo, que a essas alturas parecia um mendigo, chegou diante do imperador e disse:
- Meu senhor, e grande imperador de ouro, eu tenho informações que o ajudará em seu maior desejo, de ter sua antiga cidade, o ajudará tomá-la de volta!
- Ter minha cidade de volta... sim é o meu maior desejo!
- No entanto eu tenho meu preço! Disse o mendigo esfregando os dedos. O imperador sabiamente disse.
- Posso lhe pagar em ouro?
- Sim mais é claro!
- Lhe pagarei em ouro puro! Você terá tantas pedras de ouro que não poderá carregar!!!! Prometo-lhe que é isso que terá, será muitíssimo rico em ouro apenas, após eu ter minha cidade de volta!
O mendigo diante daquilo entregou todas as informações sobre como derrotar seus antigos compatriotas. O imperador, após verificar com seus estrategistas os riscos, saiu para a batalha deixando para trás dois guardas acampados com o mendigo, prometendo voltar após a vitória! Com os olhos brilhando o mendigo aguardou, pensou em várias maneiras de gastar seu ouro. No fim daquele dia, o imperador voltou com alguns guardas pela neve alta, e uma carroça puxada por bois, com 4 sacos de ouro. Cada saco do tamanho do próprio mendigo.
-Esta aqui como o combinado! O ouro!
Quatro guardas juntos tiraram saco por saco da carroça,e o mendigo desconfiado, verificou cada saco. Feliz por ver que cada um tinha mais ouro que o outro agradeceu, e felicitou o imperador. Com isso o imperador se despediu, e com os soldados e a carroça foram fazer a viagem de volta. Nisso o rico mendigo pulou na frete do imperador e disse:
- Por favor meu senhor, me ajude a carregar esse ouro! O imperador de seu cavalo respondeu
- Não, perguntei se o pagamento poderia ser em ouro! E cumpri minha palavra, você ficou rico em ouro apenas, eu poderia enriquecê-lo em espírito, inteligência, em honra, mas você preferiu ouro! Está aí deu ouro! E o imperador continuou seu caminho.

O mendigo implorou aos soldados e até aos bois, mas ninguém os ouvia. Todos estavam sérios e tristes, pois uma guerra havia sido feita e muitos perderam dos dois lados. O mendigo mesquinho e ganancioso voltou para seus sacos de ouro. Ficou no meio dos sacos, abraçando-os com o dilema, “vou ficar e proteger meu ouro, não vou sair e buscar ajuda para carregar o ouro”, no entanto ele não conseguia se separar de sua ganância e nem do ouro. Aos poucos o frio lhe abateu, a neve subiu até a altura de seus joelhos e o mendigo morreu no inverno abraçado a seu ouro.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Pense sobre: Entre filmes e livros

Não raras vezes participei de discussões interessantes, que dão pano pra manga, entre “inimigos e aliados”, saindo de um cinema, onde o filme era baseado em um livro. E caramba, não é difícil ver o quanto isso acontece. Nessas conversações, sempre são apontados as falhas dos filmes, sim FALHAS. Raras vezes um filme consegue seguir a história, a citar O Senhor dos Anéis. “Mas pere lá home” (espere um pouco) como se diz em Lages, não me entenda errado e não se afobe. As falhas são insuficiências que o filme ou em geral a produção de um filme não consegue arcar. E também mirando outro prisma, o filme que tem por base um livro também é uma releitura, certo, uma “adaptação”. Algo mais ainda há nesse “pano pra fazer manga”. O filme proporciona uma história entre 1:30 h e 3 h. Pense ler o livro em Três horas (não acho que seja impossível, mas vai que né). Outra “cosa hame”, o filme levanta uma experiência áudio visual rica, ou seja “a resolução da história melhora muito”. De um ponto de vista isso significa que o relacionamento entre o espectador (homem) e o filme (objeto) tem uma certa relação rápida e rica, duma experiência emocional rica (só pra constar: emoção é a alteração do estado fisiológico do homem), já que dizem que o principal sentido do homem é a visão. E, se tu te lembrará muito bem dum filme que se pegou rindo, ou deu aquele nó na garganta, ou um “parpite” no coração etc, etc... Se por um lado se torna fácil, rico e rápido o alcançar a experiência da história pelo filme. Este como falei, em relação ao livro não raras vezes é “insuficiente”. Mas vamos adiante, o livro tem seu lado bom pois o leitor imagina e reapresenta no oco cucoruco (na mente hameee), o que o autor apresenta, um exercício de abstração não muito apreciado, mas constantemente sendo feito. Ahá, aqui a riqueza que antes era na resolução do que o filme apresenta, se mostra nos detalhes da história, onde o filme falhou a história é vitoriosa. Além de um sabor sobre “comer” o original. Entre prós e contras gosto de ler o filme e ver o livro, ou seria o contrário...?
Quando coloquei que raras vezes um Filme segue o livro, bem a vezes que o supera, na história, como em 300 de esparta (que no caso é um HQ, putz), ou na estética, como no caso de Stardust. Isso é facinante.
(Perdoai um escritor que no alto da noite pensou tudo isso com gírias da região).

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

FW: Ato Médico: vamos agir rápido



Camilo Freitas Machado




Date: Tue, 14 Dec 2010 14:02:31 -0200
To: psico.milo@hotmail.com
From: contato@atomediconao.com.br
Subject: Ato Médico: vamos agir rápido

Corpo da mensagem


ATO MÉDICO: VAMOS AGIR RÁPIDO

PROJETO DE LEI PODE SER VOTADO AINDA ESTE ANO

Lideranças médicas estão se articulando no Senado solicitando que o Projeto de lei do Ato Médico
(PL 268/2002 e PL 7703/2006) entre em votação ainda nesta legislatura, em regime de urgência.

Hoje o projeto está tramitando na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania e deveria ainda passar pela Comissão de Assuntos Sociais. No entanto, se for aprovado o regime de urgência, o projeto deixa de passar por essas Comissões e vai direto para votação no plenário do Senado, sem debate e consenso entre os profissionais da saúde.

O Projeto de lei do Ato Médico tira a autonomia de milhares de profissionais da saúde e torna crime a prática de vários atos que estamos exercendo há muito tempo, retirando também a liberdade do usuário de escolha do tratamento.

Faça a sua parte!

Exerça sua cidadania enviando urgentemente email aos Senadores, solicitando que eles votem NÃO ao Projeto de lei do Ato Médico.
Sistema Coffito / Crefitos
 
Veja nesse link como enviar.
 
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sábado, 28 de agosto de 2010

ContФnuado 4

Você esperando uma carruagem, logo é atendido. Ao subir solicite ao cocheiro "para o Centro".
-Sim, sim - responde o guia, que continua sua história - Sabe eu trabalho guiando coches a muito tempo, uns 45 anos eu acho. Meus coches não eram nem lentos nem rápidos, alguns clientes fiéis falavam que eu era "exato" ou, "um coche na medida", como falava o bispo. Porém quando aconteceu o que vou lhe contar, eu era cocheiro na capital já a 13 anos. Fui chamado para ir buscar passageiros fora da cidade, numa vilazinha, na outra margem do rio, passando por uma grande ponte! Até foi tudo bem, os cavalos estavam descansados e tranqüilos, e a estrada boa. Contudo ao chegar até mesmo os cavalos de agitaram! Meus passageiros eram um homem corpulento, já de uma certa idade, e sua filha, uma bela moça, linda, mas não mais que minha mulher! Mas continuando... Eu cumprimentei o sr. que estava com uma cara retorcida de ódio! Sem falar nada subiu no coche, segurando a filha! Talvez segurar não seja a palavra certa, acho que ele a estava prendendo sabe! E ela parecia ter chorado o mais que pôde! Logo que se instalou no coche com a filha disse: "para a capital, rápido! Se chegarmos antes da noite lhe pago o dobro!" Pois bem subi no coche e e quando ia partir a menina desenbestou correndo, mas não ia em direção do que eu acho ser sua própria casa, foi na direão contrária, seu pai saiu correndo atrás, e atrás dele um capacho jovem! O primeiro não a alcançou o segundo sim! A menina se debatia demais, parecia uma cabrita pulando, enquanto os dois a seguravam. No fim das contas o capacho veio junto na viagem! No meio do caminho uma roda ficou rachou e quebrou sorte que embaixo do assoalho do coche eu tinha uma novinha! Depois correu tudo bem, pra mim que cheguei na cidade antes da noite, e descobri que a menina ia para o convento, estava muitíssimo claro para mim que era na marra! Bem, não fiquei rico, mas vivi bem, criei meus filhos! Disse o homem meio cabisbaixo.

- E qual sua desgraça!? Você pergunta.

- Minha desgraça, hum, um de meus filhos foi, o terceiro e mais novo! Foi dado como morto no hospital - disse ele com a voz embargada -  mas não me deixaram vê-lo! Mas havia um choro de bebê eu escutava! Mas eles falavam que não era o meu filho, mas eu descobri que a unica grávida que tinha parido naquela manhã no hospital era a minha mulher, então era sim meu filho! As vezes o procuro pela cidade, enquanto guio meu coche, mas como vou encontrar ele, nem sei como é! Eu e minha mulher ficamos imaginando, onde será que ele está!? Sabe acho que eu não trabalho de cocheiro, mas o procuro guando meu coche!

Logo chegam onde você que você desse e paga o cocheiro e diz: " se eu souber de algo lhe informo!"

O coche segue, com seu pai.

domingo, 15 de agosto de 2010

ContФnuado 3

Num convento a Madre Superiora acaba de saber que uma jovem foi enviada por seu pai. Antes de a Noviça terminar de falar a Madre completa:

- Contra sua vontade!

- Cruzes Madre de Deus, sabe ante que eu fale!

- Seu rosto fala mais que sua boca filha! Deus a fez assim! Disse a Madre rindo, mas em seguida tornou uma excreção de preocupação no rosto – Essas meninas que vem ao convento são daquelas de “uma semana ou uma vida”!

- Como assim!? Perguntou a Noviça.

As duas saíram do gabinete da Madre e foram caminhando pelos jardins internos do enorme convento.

- Eu aprendi, aqui no convento, com a minha primeira Madre: “Essas que vem forçado ou ficam uma semana, depois fogem, ou se perdem aqui mesmo morrendo de desgosto, ou, ficam a vida inteira, nesse caso se descobrem noviças e depois freiras ou lamentam o resto da vida o amor que foram forçadas a deixar”!

- Ora Madre desculpe a petulância, mas não seria errado resumir a vida das pessoas! Talvez até pecado!

- Ora Noviça, deixe que com os pecados Deus se preocupa! Se viver mos bem, e sermos de bem o pecado não nos incomodará! Ainda tens muito a aprender sobre o enigma de Deus!

Nesse instante as duas chegaram no portão de entrada, onde se via o movimento da capital, crianças correndo e cães no chão. Uma carruagem estava parada, onde estavam esperando um homem corpulento e uma bela moça chorando.

- Tome-a Madre! Cuide desta menina, ela se casará com Jesus aqui!

- Sim senhor! Respondeu a Madre.

- NÃO – gritou a menina – não por favor não!

- Noviça a conduza para dentro! Disse a Madre num tom severo. A Noviça fez como ordenado, porém em sua cabeça pensou “que crueldade deste pai e desta Madre”.

Os dias se passavam e a bela moça ficava aos prantos presa no convento. A opinião da Noviça em relação a Madrasta não mudara. Até em que uma noite chuvosa, um jovem arrancou a moça do convento, assim como o pai da moça havia arrancado esta dos braços do jovem. Porém a Madre não faz nada para impedir a fuga, apenas tentou proteger todas as outras. Esta ao saber o motivo da invasão abriu o portão principal e permitiu que os jovens saíssem. Ao sair a bela moça acenou e agradeceu. Logo a Noviça alcançou a Madre que estava na portão e nervosa perguntou indignada:

- Não lhe entendo Madre! Você permitiu que ela fugisse?!

- Lembra o que eu lhe disse sobre as que vêm forçadas! Essa se foi, fugiu!

- Sim mas Deus a queria aqui, não? Do contrário o pai não a traria aqui!

- Ninguém sabe a vontade de Deus para si, nem o pai dela, o que Deu queria para ela! Então procuramos viver bem e ser de bem! A isso chamo de mistério, arcano, a magia, o enigma da fé! Quem sabe deus não queria que ela fosse se casar ter filhos e que estes fossem pessoas de bem!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Um Amor de Circo




Cá lhes apresento meu livro "Um amor de circo". Traz a história de um palhaço e uma bailarina em suas viagens em um circo. A editoração do livro foi toda minha, e ainda não está completa. Por incompleta quero dize "não está como eu queria", pois ainda queria trazer este livro de forma ilustrada.
Apesar de eu defini-lo como infantil/infanto-juvenil, eu mesmo ao ler curti a história. Um dos propósitos da divulgação aqui é sobre as críticas. Disponho aqui as primeiras páginas do livro. Para mais informações, a venda do livro está disponível nesse link (http://clubedeautores.com.br/book/27194--Um_Amor_de_Circo). Apenas é necessário o cadastramento no site




CAPÍTULO I

A apresentação difícil

Em um cirquinho, pequeno pela fama que tinha. Fama essa que cresceu muito depois dessa história. Tinha o que todo circo antigo tem que ter: trapezista, mágico, domador, claro o palhaço e outros. Esse cirquinho viajava pelo país inteiro, numa caravana de caminhõezinhos, “os latão” como eles chamavam. Quase sempre se apresentavam no interior do país.
Eles haviam chego numa cidade, uma cidade grande do litoral e naquela mesma noite seria a estréia. O público foi difícil, não se rendiam facilmente ao espetáculo. O Contorcionista quase foi vaiado, a apresentação parecia definhar, “tá tudo perdido” dizia o Dono do circo atrás da cortina, “vou ter que devolver todo dinheiro” ouvia o Palhaço de seu camarim improvisado com cortina. Ali dentro tinha um espelho de seu tamanho, dois malões do tamanho de armários e uma maleta pequena, num dos malões haviam vestes e maquiagem, no outro parafernálias pra palhaçada. Como todo bom palhaço esse adorava o que fazia, e fazia bem. Aquela noite, e isso era muito raro, ele estava nervoso com a apresentação, ele era o próximo a enfrentar o público dificultoso. Quando ele saiu pronto, maquiado, de cartola surrada, e maleta com “artigos de palhaço”, calças largas e curtas e camisa listrada o Dono veio até ele:
- Mudança de planos, a Bailarina vai antes de você, certo!
- Sim senhor!
O Palhaço nem pensou em recusar. Dito isso o Dono entrou no picadeiro, enquanto o Contorcionista saia, descorçoado e desanimado. Enquanto o Contorcionista era aparado pelos amigos, o Dono foi logo dizendo acima de qualquer voz:
- Carríssimaicissima, platéia agoraaaaaaaaa tenho o prrrrazer de trazer-lhes uma jóia rara da bela arte, a bela, Bailarina!
As luzes se apagaram, como que num apagão, puf! Quando a primeira família ia levantar para ir embora, uma luz azul caiu no meio do escuro picadeiro como chuva, deixando a platéia na penumbra. No centro estava a Bailarina, de olhos fechados, de pele clara, estava com um vestido branco leve que ia até os joelhos, agora azulado com a luz. O cabelo liso preso por uma fita.
Quando a platéia vislumbrou a beleza da Bailarina na chuva azul o silêncio lhes abateu tão intensamente que me é indescritível. Primeiro um acordeão começou em uma nota longa, atrás veio os acordes nítidos de um violão, uma flauta, e uma espécie de bumbo de pelego macio que marcava a música com um tom grave e melancólico.
A Bailarina fez uma reverência ao público e outra aos músicos. Ela ergueu os braços em arco, começou muito leve a dançar com a música. Ora rodopiava, ora saltava e seu vestido esvoaçante ia e vinha com a música, seus olhos cintilavam na luz azul, na face pálida estava um singelo sorriso. A música cresceu no lugar e começou a ficar mais rápida e tempestuosa, a bailarina dançava espetacularmente, ela acelerou os corações do público.
Atrás da cortina estava o Palhaço olhando extasiado e como que sonhando. Parece que ele havia esquecido ou nunca percebido a beleza da bailarina e sua dança, já que quando ela dançava, ele estava no “camarim cortina” tirando maquiagem e colocando gelo nos machucados dos tombos e depois ia trabalhar como vendedor de doces fora da tenda. A música muito agitada, parecia ser agressiva e a luz piscava deixando ver apenas “quadros estáticos” da Bailarina. Ela estava no controle, regia corpo, música e platéia. A luz ascendeu de repente, terminando com uma única nota longa do acordeão, como começara, a Bailarina no centro do picadeiro com as mãos para trás encarando a platéia. Demorou um pouco para o público “digerir” aquilo e explodir em aplausos, muitos levantavam. A Bailarina reverenciou os aplausos e aplaudiu a banda, virou-se e voltou ao seu camarim ofegante e feliz.
Quando passou pelo palhaço ouviu “Belíssima apresentação”, ela retribuiu com um olhar singelo e um largo sorriso de agradecimento. O Dono beijou a testa da bailarina e passou pelo Palhaço feliz da vida dizendo “Você é o próximo”. Quando entrou foi recebido por mais alguns aplausos e anunciou o Palhaço, este se concentrou em “risadas e palhaçadas, palhaçadas e risadas” e entrou no picadeiro com cambalhotas. De fora da tenda podia se ouvir a onda de risos e gargalhadas. Ele até chamou uma criança no picadeiro e ele ficou fazendo palhaçada, a criança jogou água nele e sua apresentação se seguiu bem.
Naquela noite depois do último número e o espetáculo terminar, os artistas comemoravam na tenda, pois havia sido superado o problema e a platéia se encantou com o circo. No meio da festa, que era ao mesmo tempo janta, com mesas grandes colocadas no meio do tablado do picadeiro, o Dono levantou sua taça e disse a todos que silenciaram no mesmo instante:
- Hoje ergo um brinde à Bailarina, que salvou-nos a noite. Um Brinde meus amigos aos esforços de todos, especialmente os dela!!
Todos se levantaram e brindaram, muitos cumprimentaram a Bailarina pelo ótimo trabalho. No fim do jantar, quando a louça já estava sendo lavada pela equipe da louça da vez, o Dono meio tonto disse que a ordem do espetáculo ficaria daquele modo na próxima apresentação. Na noite seguinte, que era da apresentação, a esfarrapada tenda vermelha amarela do circo estava cheia, muitos assistiam em pé e faltou ingresso por causa do espaço. Muitos da cidade, pareciam não ter contato tão direto com a arte, não a sentiam em suas vidas agitadas e rotineiras. Mas ali no circo, experimentaram desse mel e se encantaram, pais levavam filhos, filhos levavam seus pais. A maioria esperando a muito comentada bailarina, mas souberam apreciar todo o espetáculo. Quando chegou a vez dela, quando as luzes se apagaram, o ar parecia parado. Ninguém falava ou ousava respirar profundamente. Lá estava ela, no meio do palco sob a chuva azul, a música era diferente, mas de igual beleza. Dessa vez, o acordeão e a flauta começaram juntos, calmos como antes, com a Bailarina em perfeita harmonia. Parecia que as músicas e passos dela eram improvisados, quando o violão e o bumbo leguero entraram na música, como trovão, ela seguiu rodopiando no picadeiro, correndo. E lá estava o palhaço assistindo tudo de trás da cortina, por uma fresta no pano rouxo escuro. A Bailarina quase que encenava, sua expressão mudava, por vezes terror ou susto, a banda e ela pareciam ter se superado, a música parou de repente como um baque, e a Bailarina no centro. Os aplausos vieram mais rápidos que os da noite anterior, e novamente muitos aplaudiam de pé. A Bailarina saia em quanto o faceiro Dono entrava no picadeiro e anunciava o Palhaço. Quando ela passou por ele, ela disse, feliz da vida:
- Estão prontos para você!
O coração do Palhaço que já estava ligeiro, batendo no peito, foi à loucura, e debaixo da maquiagem o Palhaço sentiu seu rosto corar. Parece que ela havia preparado o público para ele. E preparou bem, quando ele entrou já fez que havia tropeçado num banquinho usado por ele mesmo no seu número, e ele segurou o sapato exageradamente comprido com uma face de dor risonha que fez o público cair na risada. Ele com uma voz chorosa, disse:
- Tão rindo é, vão ver!
Pegou um balde, perto da cortina, puxou uma mangueira e abriu, quem via achava que ele estava enchendo o balde fosco. Mas a água caia atrás, num furo no chão. Ele pegou o balde, esforçando-se como se estivesse cheio, e muito convincentemente jogou numa parte do público cheia de adultos, alguns dos quais de terno. Estes foram “molhados” por uma chuva de papel picado, depois do grito de susto deles todos riram até o palhaço ria apertando o nariz vermelho que fazia um sonzinho assobiado. Não havia chego na metade do número e muitos choravam de rir com as palhaçadas. Por último, com um jovem homem engravatado, tirado da platéia, o palhaço havia feito ele se vestir de palhaço e dado um chapéu e um nariz vermelho, ele deu uma flor enorme para o engravatado, era um girassol enorme e disse que era para ele dar para namorada. O Engravatado foi em direção à cadeira vazia, que antes ele ocupava, ao lado havia uma mulher de cabelos loiros com um vestido florido em tons de rosa com fundo branco. O homem, muito romanticamente, ajoelha-se em frente da namorada, que estava rosa feito o vestido, uma timidez por todos olharem para eles ali, o Engravatado não estava nem aí para o público ou o palhaço, se ajoelhou entregou a flor e junto uma caixinha, a mulher pegou ambos, flor e caixa e com as mãos tremulas abriu a caixinha que tinha um anel dentro, uma aliança. O jovem, em seguida, disse em um tom que escondia o nervosismo, e todos escutaram um “quer casar comigo”. A mulher, com olhos mareados de lágrimas, viu nas costas do seu amor o Palhaço com sorriso estendido e engraçadamente curvado para frente esperando a resposta, a mulher olhou de novo seu amor e disse:
- Você planejou tudo isso!
- Não muito bem! Disse o rapaz. Eu ia pedir quando te levasse em casa, mas o palhaço deu a idéia quando fui comprar doces, era ele quem vendia!

domingo, 8 de agosto de 2010

ContФnuado 2

Lembro-me de minha maior aventura. A cidade nem cidade era de tão pequena, era uma povoa a beira mar. Do outro lado a capital do estado e no meio um rio e um mar se encontravam. Foi a muitos Verões, eu era jovem e além de pescar todo dia cedo, ia estudar na capital, o barco passava levanto os jovens para se tornar letrados. Enquanto eu esperava o barco, sempre ela passava. Uma menina linda de cabelos escuros e olhos claros, sempre estava com uma empregada que levava as compras. Logo descobri que ela morava numa mansão mais retirada era filha do “dono” da cidade. Homem poderoso e rico, que não queria que sua filha casasse. Mas logo eu queria, e depois de nos conhecermos e passar longas tardes caminhando a beira do mar frio do sul, e tomar o vento do fim da tarde no píer, ela também quis. Sabíamos que seu pai era contra, mas éramos dois a favor. E enquanto planejávamos o que fazer durante nossas caminhadas, chegou aos ouvidos dele sobre nós.
Naquela data fatídica, a noite já havia caído, o vento já a muito esfriara e nós ainda estávamos sozinhos no píer, quando ouvimos o ranger das botas dele na madeira. O pai dela vinha enfurecido. Arrancou ela de meus braços e com uma faca abriu um corte em meu braço. Eu estava sem saída e desarmado, e, matá-lo não era uma opção. Pulei na água e fugia a nado, dias mais tarde soube que minha amada havia sido mandada a um convento. Daí para frente foi fácil, segui ela até seu claustro e a tirei de lá, como seu pai a havia me tirado dos braços.
Fugimos para a capital, e vivemos durante muito tempo sem sermos importunados pelo seu pai. Eu via que isso a machucava pois era seu pai, até que um dia a herança nos alcançou. O mensageiro disse: “seu pai morreu esta manhã”, e o alívio se misturou com a dor. Voltamos e moramos durante o resto de nossas vidas ou melhor do resto da vida dela, pois fiquei viúvo no alto dos meus 50 anos. Desde então voltou ao píer, e lá fico um tempo desvairado em minhas lembranças. Meu médico disse que isso pode ser doentio, eu acho que é isso que me move, ir e voltar ao, no, do píer.